domingo, 17 de setembro de 2017

O brigadeiro, o guarda-chuva e o sorriso.


O brigadeiro, o guarda-chuva e o sorriso.
 (Conto, Agosto 2017)

Se eu fosse eleger o dia mais difícil da minha vida, seria sem duvidas hoje, tudo deu errado, tudo caiu sobre minhas costas, o escritório estava um inferno, ainda mais que se hoje eu estivesse com o Leandro, estaríamos comemorando nosso noivado, mas fazia 18 meses que aquele filho da puta tinha acabado com minha vida, e me deixado um caco, então somente uma coisa salvaria meu dia. Brigadeiro! Nem era meu estomago que estava pedindo, mas sim minha alma, que queria um brigadeiro daqueles gigantes, pensei o dia todo em brigadeiro, se eu visse um cocô de cachorro eu pensaria no bendito brigadeiro.
Chegando à minha doceria preferida, tudo parecia que tudo estava caminhando pra um final mais que feliz, afinal comeria meu brigadeiro com a sensação de estar tendo um orgasmo, quando de repente me sentei perto da vitrine, e como um passo de mágica começou a chover, ai pensei “Putz! Tomei no cú” afinal tinha deixado o guarda-chuva no escritório, escritório do caralho!
Pra minha sorte tinha pego o ultimo brigadeiro da vitrine, só que nesse meu desespero por brigadeiro, nem tinha percebido um rapaz lindo sentado ao meu lado, ele estava de cabeça baixa olhando pra um jornal, mas na verdade um olhar vago, como se ele tivesse perdido algo, quando de repente ele se vira pra minha mesa e pergunta algo pra mim, e eu penso. Merda! Será que o canto da minha boca esta sujo de brigadeiro?
_Com licença, desculpe estar atrapalhando, mas qual é o nome desse doce que você esta comendo?
_Brigadeiro! Todo mundo sabe o nome! Respondi rindo.
_É que na verdade quem pedia o doce era minha namorada, eu só pagava.
Nessa hora segurei um sorriso de canto e repeti o que ele disse. _Ãh! Era sua namorada?
_Sim! Faz um tempo que terminamos, mas passei aqui na frente e resolvi entrar, não sei por que, mas resolvi pedir doce que ela gostava, mas então me dei conta de que não sabia qual era o doce e nem o nome.
_Que pena esse era o ultimo! Respondo com carinha de criança que fez algo errado sem querer.
_Então o que me resta é ir embora e voltar outro dia! Ele se levantou e parou, abriu a porta ele olhou pra chuva como se fosse o dia mais ensolarados da vida dele.
Eu engoli a metade do brigadeiro e não sei por que, dei um pulo peguei a bolsa e corria até a porta.
_Espere! Eu conheço um lugar onde tem brigadeiros tão bons quantos os daqui, acho que você conseguiria matar sua curiosidade lá!  E dei um pequeno sorriso.
 Ele me disse isso rindo!_ Moça o canto da sua boca esta com brigadeiro!
Puta que o pariu! Tentei passar a mão, mais ele foi mais rápido pegou um guardanapo que estava na mesa ao lado perto da porta e me deu.
_Você poderia me mostrar onde seria esse outro lugar? Essa pergunta veio acompanha de um olhar doce e um sorriso meio tímido, meio prudente, talvez devido à gravidade da pergunta!
_Nossa! Mas moço, esta chovendo e eu esqueci meu guarda-chuva no escritório.
_Não me chame moço, me desculpe, meu nome é Rubens e o seu?
_Monica! 
_Então? Vamos Mônica! Vem e me mostra onde é esse outro lugar eu adoraria a sua companhia!
Eu pensei! Como assim? Nem o conheço e o pior, esta chovendo! Olhei como se um furacão desse a arrasam a costa da Califórnia estivesse la fora.
 _Vem Mônica é só chuva! Ele andou e entrou na chuva, sorriu e estendeu a mão em minha direção.
Nessa hora, meu coração disparou me senti segura, como se descobrisse na naquele momento algo que sempre esperei, até poderia ser uma loucura, mas pensei. Foda-se o salão de ontem, hoje tudo vai ser diferente, tudo vai terminar bem! Fechei os olhos, respirei fundo, segurei na sua mão com um sorriso e caminhei pra chuva.

Fim

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