O
brigadeiro, o guarda-chuva e o sorriso.
(Conto, Agosto 2017)
Se eu fosse eleger o dia mais difícil da minha vida, seria
sem duvidas hoje, tudo deu errado, tudo caiu sobre minhas costas, o escritório
estava um inferno, ainda mais que se hoje eu estivesse com o Leandro,
estaríamos comemorando nosso noivado, mas fazia 18 meses que aquele filho da
puta tinha acabado com minha vida, e me deixado um caco, então somente uma
coisa salvaria meu dia. Brigadeiro! Nem era meu estomago que estava pedindo,
mas sim minha alma, que queria um brigadeiro daqueles gigantes, pensei o dia
todo em brigadeiro, se eu visse um cocô de cachorro eu pensaria no bendito
brigadeiro.
Chegando à minha doceria preferida, tudo parecia que tudo
estava caminhando pra um final mais que feliz, afinal comeria meu brigadeiro
com a sensação de estar tendo um orgasmo, quando de repente me sentei perto da
vitrine, e como um passo de mágica começou a chover, ai pensei “Putz! Tomei no
cú” afinal tinha deixado o guarda-chuva no escritório, escritório do caralho!
Pra minha sorte tinha pego o ultimo brigadeiro da vitrine,
só que nesse meu desespero por brigadeiro, nem tinha percebido um rapaz lindo
sentado ao meu lado, ele estava de cabeça baixa olhando pra um jornal, mas na
verdade um olhar vago, como se ele tivesse perdido algo, quando de repente ele
se vira pra minha mesa e pergunta algo pra mim, e eu penso. Merda! Será que o
canto da minha boca esta sujo de brigadeiro?
_Com licença, desculpe estar atrapalhando, mas qual é o
nome desse doce que você esta comendo?
_Brigadeiro! Todo mundo sabe o nome! Respondi rindo.
_É que na verdade quem pedia o doce era minha namorada, eu
só pagava.
Nessa hora segurei um sorriso de canto e repeti o que ele
disse. _Ãh! Era sua namorada?
_Sim! Faz um tempo que terminamos, mas passei aqui na
frente e resolvi entrar, não sei por que, mas resolvi pedir doce que ela
gostava, mas então me dei conta de que não sabia qual era o doce e nem o nome.
_Que pena esse era o ultimo! Respondo com carinha de
criança que fez algo errado sem querer.
_Então o que me resta é ir embora e voltar outro dia! Ele
se levantou e parou, abriu a porta ele olhou pra chuva como se fosse o dia mais
ensolarados da vida dele.
Eu engoli a metade do brigadeiro e não sei por que, dei um
pulo peguei a bolsa e corria até a porta.
_Espere! Eu conheço um lugar onde tem brigadeiros tão bons
quantos os daqui, acho que você conseguiria matar sua curiosidade lá! E dei um pequeno sorriso.
Ele me disse isso
rindo!_ Moça o canto da sua boca esta com brigadeiro!
Puta que o pariu! Tentei passar a mão, mais ele foi mais
rápido pegou um guardanapo que estava na mesa ao lado perto da porta e me deu.
_Você poderia me mostrar onde seria esse outro lugar? Essa
pergunta veio acompanha de um olhar doce e um sorriso meio tímido, meio
prudente, talvez devido à gravidade da pergunta!
_Nossa! Mas moço, esta chovendo e eu esqueci meu
guarda-chuva no escritório.
_Não me chame moço, me desculpe, meu nome é Rubens e o seu?
_Monica!
_Então? Vamos Mônica! Vem e me mostra onde é esse outro
lugar eu adoraria a sua companhia!
Eu pensei! Como assim? Nem o conheço e o pior, esta
chovendo! Olhei como se um furacão desse a arrasam a costa da Califórnia estivesse
la fora.
_Vem Mônica é só
chuva! Ele andou e entrou na chuva, sorriu e estendeu a mão em minha direção.
Nessa hora, meu coração disparou me senti segura, como se
descobrisse na naquele momento algo que sempre esperei, até poderia ser uma
loucura, mas pensei. Foda-se o salão de ontem, hoje tudo vai ser diferente,
tudo vai terminar bem! Fechei os olhos, respirei fundo, segurei na sua mão com um
sorriso e caminhei pra chuva.
Fim





